Não peço arrego, porque meu sono é matado em sonhos
Sonho real quando me perco nos beijos
Não sonho alto, porque teus braços estão na altura da pedida
É a medida certa pra sentir e sair de calada
Desorientadamente deslocada, desvairada e despida
E dispersa nessa confusão de mente oca e vazia
Que não se preocupa, mas não se ocupa de culpar coisa nenhuma
Nem mesmo as curvas que dá
Até o rumo da estabilidade súbita
Nossos poros, estrapolados
Embaraçados e emaranhados
Em pêlos e pele, corpo e só
E nó, e dó, ré, mi, fá e sol
E todos os estados em prol
Da necessidade, da vontade, da vaidade
De saber e satisfazer
De querer e esquecer
De deitar e tragar
O ócio dos tempos perdidos
Da mão no rosto, no ouvido
Do sussurro, do escuro
Vasto campo perigoso, elétrico
Que choca e entra em colapso
E traz resultado pesado
Do dia seguinte
Calado pra ouvinte
Falado em vinte segredos
E secretos suficientes pra pronunciar colado
Ao coração e a mente...
Quem dera!
Do inverno a primavera
Nossas feras se acalmassem
E minha falta de espera, austera
Sossegasse e sensibilizasse
Com coisa alguma qualquer
Só deixasse acontecer...
Como deve ser...
Como é.
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