Eu não me calo
E não me consolo
Porque meu corpo
Clama e canta
Minha cabeça
Incorpora e ama
E cansa
E dança
E consome
As mudanças
Que o tempo propõe
Eu não me culpo
Eu acho justo
Ter um lado escuro
Na imensidão
Da luz do mundo
Na precisão
Do que vivo
Ser frio
Vez de só fogo
Eu não me movo
Mas estou solto
Sou asa, brasa, ar e fogo
Vôo, mas mantenho contato
Com a terra que piso
E o mato
Que me abriga
E abriga o vasto
Ambiente que me visto
Eu não me prendo
Mas eu me rendo
A qualquer amor que queira me prender
Pois sou maleável
E facilmente abalável
Incontrolavelmente incontrolável
Esse coração meu
Eu não sou seguro
Mas tento ser o mais puro
Harmonioso com meus preceitos
Não sou perfeito
Mas eu me curo
Ou tento
De todos os defeitos
Desse mundo atento
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