Cinza como o sentimento de dor
Cinza como dói o amor
Cinza, como poucas vezes você acorda
Num dia chuvoso e frio
Cinza é toda a cor
Que você deixou de pintar
Que apagou com o tempo
Ou que trouxe o vento
De uma garoa suave
Cinza como as nuvens
Que esconderam o arco íris
E as naves
E as íris
Dos olhos cegos
Cinza é não aprender
Ou esquecer o beabá
Cinza é sampa, beagá
Mas cinza se colore como pode
Cinza não é eterno
É preguiça, é inverno
É um papo curto
Um trombo, empurro
Um ciúme de saturno
Ou um sentimento obscuro
Cinza é oculto
Cinza não tem forma
Tem sombra e constraste
Cinza é dar volta
E apagar as margens
Não querendo ser cinza
Mas cinza também é cor
É só dar vida
Que não tem problema por
Cinza na vida, na ferida
Num sentimento saturado
Mas cinza só não deve
Usado, abusado
Como os cinzas
De concreto, de betão
Cinza deve ser acomodado
Em meio as cores, iluminado
Sem causar alvoroço, escuridão
Acinzentar sem assim ausentar...
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