Criança, já foi!
Lembrança - que foi?
Pra mim pouco importa
Que há de vir...
E vem na sala
E vai pro quarto
E faz estrago
Com a barba no ego
Tão meu, tão seu
Se exibe, se assanha
Sacaneia, arranha
Penteia, amansa
E dança a música
Que toca e arrasta
Dois passos e deita
No braço, cruzado
Amasso
De fogo, de aço
E pega as pernas
E deita, se entrega
Se ajeita, não nega
Rejeita
Que peça
Esse teatro
De nossos encontros
E pronto
Estamos tontos
Embriagados
Doce vinho
Suor, saliva
Sexo suave
Estados
Espíritos
Sóbrios
E lívidos
E cama
E travesseiro
E coberta
Descoberta
E nudez
E vazio
E de uma só vez
Se perde na imensidão do oco
E sufoca o corpo
De carne e prazer
Que arrepia
E caminha
Pela pele
Pelos pêlos
Pela ponta do cabelo
E vaza, e rasga e consome
E chama teu, meu nome
Em deliciosos trancos
Esfregando os corpos
E logo
Deita, abraço
Aperto, pouco espaço
E sufoca de calor
Pois quente
É suficiente
Pra lembrar...
E sentir...
E gozar...