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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Lembrar, Sentir e Gozar

Perdemos a noite 
Criança, já foi!
Lembrança - que foi?
Pra mim pouco importa
Que há de vir...
E vem na sala
E vai pro quarto
E faz estrago
Com a barba no ego
Tão meu, tão seu
Se exibe, se assanha
Sacaneia, arranha
Penteia, amansa
E dança a música
Que toca e arrasta
Dois passos e deita
No braço, cruzado
Amasso 
De fogo, de aço 
E pega as pernas
E deita, se entrega
Se ajeita, não nega
Rejeita
Que peça
Esse teatro
De nossos encontros
E pronto
Estamos tontos
Embriagados 
Doce vinho
Suor, saliva
Sexo suave
Estados
Espíritos
Sóbrios
E lívidos
E cama
E travesseiro
E coberta
Descoberta
E nudez
E vazio
E de uma só vez
Se perde na imensidão do oco
E sufoca o corpo
De carne e prazer
Que arrepia
E caminha
Pela pele
Pelos pêlos
Pela ponta do cabelo
E vaza, e rasga e consome
E chama teu, meu nome
Em deliciosos trancos
Esfregando os corpos
E logo
Deita, abraço
Aperto, pouco espaço
E sufoca de calor
Pois quente
É suficiente
Pra lembrar...
E sentir...
E gozar...

sábado, 12 de outubro de 2013

Cinza

Cinza como o sentimento de dor
Cinza como dói o amor
Cinza, como poucas vezes você acorda
Num dia chuvoso e frio
Cinza é toda a cor
Que você deixou de pintar
Que apagou com o tempo
Ou que trouxe o vento
De uma garoa suave
Cinza como as nuvens
Que esconderam o arco íris
E as naves
E as íris
Dos olhos cegos
Cinza é não aprender
Ou esquecer o beabá
Cinza é sampa, beagá
Mas cinza se colore como pode
Cinza não é eterno
É preguiça, é inverno
É um papo curto
Um trombo, empurro
Um ciúme de saturno
Ou um sentimento obscuro
Cinza é oculto
Cinza não tem forma
Tem sombra e constraste
Cinza é dar volta
E apagar as margens
Não querendo ser cinza
Mas cinza também é cor
É só dar vida
Que não tem problema por
Cinza na vida, na ferida
Num sentimento saturado
Mas cinza só não deve
Usado, abusado
Como os cinzas
De concreto, de betão
Cinza deve ser acomodado
Em meio as cores, iluminado
Sem causar alvoroço, escuridão
Acinzentar sem assim ausentar...

Saudade Sacana

E a saudade é a falta do que te falta.
De incompleta até indireta
Indiscreta, inquieta
É o que se sente
Ou o que faltou de repente
É o ego baixo
O tempo vago
O ócio, o peso
Descarrego
Desaconchego
O desconhecido, o imprevisto
É o buraco no meio do peito
É um enorme vazio
Ou um copo cheio
É um calo nos dedos
Um engasgo na garganta
Um pasmo devaneio
Um vasto tormento
É o assento
Das histórias mal contadas
Mal acabadas, mal vividas
É a busca pela saída
De onde a mente não ousa
Se mover...
É se envolver
Sem nem pensar e nem querer
Se perder
No pouco prazo que resta papo
De outros alheios
É lembrança...
De olhos fechados
E coração aberto
É voar no chão
E pousar no teto
Ah, saudade...
Saudade é tudo aquilo que deixou de ser
Ou foi e não é mais...
Saudade tirou minha paz

Soul Sol Sou

Eu não me calo
E não me consolo
Porque meu corpo
Clama e canta
Minha cabeça
Incorpora e ama
E cansa
E dança
E consome
As mudanças
Que o tempo propõe
Eu não me culpo
Eu acho justo
Ter um lado escuro
Na imensidão
Da luz do mundo
Na precisão
Do que vivo
Ser frio
Vez de só fogo
Eu não me movo
Mas estou solto
Sou asa, brasa, ar e fogo
Vôo, mas mantenho contato
Com a terra que piso
E o mato
Que me abriga
E abriga o vasto
Ambiente que me visto
Eu não me prendo
Mas eu me rendo
A qualquer amor que queira me prender
Pois sou maleável
E facilmente abalável
Incontrolavelmente incontrolável
Esse coração meu
Eu não sou seguro
Mas tento ser o mais puro
Harmonioso com meus preceitos
Não sou perfeito
Mas eu me curo
Ou tento
De todos os defeitos
Desse mundo atento

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Subir de Escadas

Nessa savana
Serena, sacana
Minha cama
Coberta de onça
Deitados
De concha
No quarto
De lado
De quatro
Um quadro
Retrato indefinido
Debaixo do teto
Nas entrelinhas escrito
Sufoco e sabor
Um louco de amor
Outro de pudor
Supera
Espera
Não desespera
E não rende
Mas sente
No fundo
Como feitos
Profundo
Um caso
Acaso
Desfaço
Em mente
Sobre a gente
O espaço
É largo
Mas é descaso
Não aproveitar
Nada se pode
Fazer ou pensar
Sem querer
Sorrateiros
Pegamos-nos
Entre travesseiros
Sem ter receio
Do que pode acontecer
O que há de vir...
E fluir
E subir
Nas escadas
Dessa troca
De energia
De prazer
Experiência
E saber
No caso
Nada traçado
Apenas enrolados
Nos nossos abraços
De envolvimento
Sem sentimento