quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Asfixiar
Com cigarro na boca
Com os lábios no cigarro
E o cigarro na mão
E a mulher
Com o coração na boca
Com dor no coração
E o coração na mão
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Deixa ser
Pra poder me ninar no teu colo
Pra eu deitar a cabeça no teu ombro
E chorar sem medo, sem restrição
Deixa eu ser uma amiga
Virar noites com você
Sem precisões do que acontecer depois
Deixar eu tomar seu tempo, seus minutos
Deixar eu pegar na tua mão
Deixa eu ser sua amante
Provar do teu sexo
E te tocar sem recuar
Poder te olhar de verdade nos olhos
Deixa eu ser seu amorzinho, deixa
Deitar com você
Amanhecer com você
Poder te chamar de meu rei
Deixa eu ser sua mulher
Poder te beijar
Até os cabelos eriçarem
E te ter em meus braços
Até tudo se acabar
Até tudo se acabar...
sábado, 15 de outubro de 2011
Perdão
De morder a maçã proibida
E de procurar pelo perigo
Nos teus olhos negros
Perdoa pelo sabor amargo
Do beijo que eu te dei nos sonhos
E pelo que eu resisti esse tempo todo
Ou fingi resistir
E perdoa-me por encantar com teus encantos
E imaginar você toda crua noite
Toda vez que vou deitar com o travesseiro
Toda vez que vou me deitar com o prazer
Perdoa pelos tremores e gemidos sórdidos
Em tempo frio, em tempo quente
Perdoa pelos dentes que eu rangi também
Quando o ciúmes me comeu inteiro
E perdoa por imaginar nós em quatro paredes
De invadir seu espaço pessoal
De tentar parecer que está tudo em perfeita ordem
Enquanto a cabeça está desorganizada
Só não perdoa pelo que eu deixei de fazer
Não por não querer, não por não fazer
Mas se possa parecer, não fiz por você!
Gravidade
Se eles levaram outra mulher
Por que não eu?
E por que deveria eu ir?
Por quem eu deveria ir?
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Realeza
Pois só um príncipe pra roubar um coração gélido e re-esculpi-lo com todas as peças da paixão.
O abraço encantado, forte. Como de um guerreiro, um cavaleiro
O sorriso real de quem tem segurança do que faz.
E o fez.
E foi-se embora!
Com todos os pedaços do coração gélido
E algumas peças da escultura de paixão
Voltou num sonho, picado
Em pedaços, e lembranças
De um fato não acontecido
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Desaguando
Do cheiro senti o amor
Pingou, pingou
Fluxo calculado, perfeito
Mantinha estabilidade, equilíbrio
Porém desaguou sobre minha cabeça
Inundou o peito
De água doce
De água salgada
Sal na boca
Sal na água
Estou navegando
No teu mar
No teu rio
No teu lago
No teu leito
Lento e lento...
domingo, 9 de outubro de 2011
Trago a Noite
Os olhos do falso cego
Enxergou o que pôde
Supôs o que quis
Sopro, sopro, fumaça
O cheiro é bom
E a sensação, melhor
Se pudesse sentir o frio outra vez
Vestiria a jaqueta lisa
E pediria outro sopro
Dessa vez com um beijo
Não pudera enconstar meus lábios
Não na sua boca, nem no seu cigarro
Só nos de outra pessoa
Que eu não quis
sábado, 8 de outubro de 2011
Viagem
Pensamentos subiam degrau a degrau
E me perseguiam como sombras
Na terra encantada de boas energias
Pernas cansadas
Em meio à multidão
Um sobe e desce confuso
Coração na mão
E pulsos acelerados
Centauro Azul
De tão lépido, assustador
Os olhos negros sedentos
Com mais pavor, que amor
O que o braço não alcançou
Os ouvidos puderam notar
E a presa fácil, respirou
Mas o coração grande, o fez jurar
E jurou sigilo absoluto
Na gélida madrugada,
Pois saltou num impulso
Desaparecendo na estrada
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Belo Horizonte
E aquela história, de corações atordoados e gritos ensurdecedores
Me perseguiram durante toda viagem
O sol encostado na colina anuncia calor tardio
Mas ainda assim estou num frio de uma geleira sem fim
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Surto
Busquei a voz terapêutica e confortável da minha doce companhia.
Chorei, sorri.
E como!
E quanto!
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Tiroteio
Que as lágrimas cairam, isso eu soube do início ao fim.
Suplico compaixão
Imploro paz
Pedindo por favor
Estou pedindo por favor
Tenham dó!
Angústia
Ainda me perseguem
Quando são pronunciados
Em tempos de reflexão
E ainda me arrepiam os braços
Se voltam me atormentar no escuro
Se são lembrados de madrugada
Ou quando estou tão só
Quando não tem nada aqui ...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Acinzentado
Pouca fala e muito barulho
Durante primaveras chuvosas
Durante tempo feio
No início de outubro
Vogal
Acompanhei os movimentos da cabeça
Engoli símbolos feministas loucos e embreagados
Imunizando as possíveis consequências do ciúme
Ordenei sossego ao coração
Usufruindo dos últimos minutos do tempo
Imundície
A noite não acabou
Ainda posso sentir
Ainda posso tocar
Ainda posso ouvir
Ainda posso ver
Ainda assim as músicas estão tocando
Ainda assim minha cabeça dói
Tem cheiro de
Tem sabor de
Tem dor de
Mais uma dose
Mais um copo
Mais um cigarro
Me apaga dessa noite
Me tira logo daqui
O Ego do ER
Depois de amanhecer
É a hora do entardecer
Logo o anoitecer
Esperando acontecer
Me fazendo enlouquecer
Sol
O sol nasceu pra você
Iluminando visões
Clareando idéias
Incendiando corações ...